Momento-curvatura¶
Análise não linear da seção: em vez de responder "quanto de aço", ela responde como a seção se comporta à medida que é carregada, até a ruptura.
É o que mostra a rigidez efetiva e a ductilidade — duas coisas que o dimensionamento no estado limite último não revela.
A relação tensão-deformação real¶
O dimensionamento usa o bloco retangular equivalente, que é uma simplificação conveniente para integrar à mão. A análise não linear usa a relação parábola-retângulo da NBR 6118, que é a curva real:
O trecho parabólico sobe até \(\varepsilon_{c2}\); daí em diante a tensão fica constante até a deformação última.
O procedimento¶
Para cada valor de curvatura \(\chi\), a seção está em equilíbrio quando a resultante de compressão no concreto e a de tração no aço se anulam. A incógnita é a profundidade da linha neutra.
O programa a encontra por bisseção — scipy.optimize.bisect —, procurando
entre limites físicos aceitáveis a posição em que o equilíbrio fecha. Com a
linha neutra conhecida, o momento resistente correspondente sai da integração
das tensões.
Repetindo isso para uma sequência de curvaturas — 100 passos por padrão — constrói-se o diagrama \(M\)–\(\chi\).
Por que bisseção, e não Newton
A bisseção é mais lenta que Newton, mas não depende da derivada e não diverge. A relação constitutiva do concreto tem um ponto anguloso em \(\varepsilon_{c2}\), onde a parábola encontra o patamar — e é exatamente o tipo de descontinuidade de derivada que faz Newton errar o passo.
Com cem pontos por diagrama, a diferença de velocidade é irrelevante.
O que o diagrama mostra¶
A rigidez efetiva. A inclinação inicial do diagrama é a rigidez \(EI\) da seção não fissurada; depois da fissuração ela cai, e é essa rigidez reduzida — não a da seção bruta — que governa deslocamentos reais.
A ductilidade. O comprimento do patamar antes da ruptura diz quanta rotação a seção suporta. É o que permite (ou não) a redistribuição de momentos que o coeficiente \(\beta\) do dimensionamento pressupõe — ver flexão.
O tipo de ruína. Uma seção subarmada escoa o aço antes de esmagar o concreto, e o diagrama tem patamar longo. Uma superarmada rompe pelo concreto, e o diagrama termina abruptamente — ruína frágil, sem aviso.
Limites de validade¶
Faixa de aplicação
- É análise de seção, não de peça. Não fornece flechas: para isso seria preciso integrar a curvatura ao longo do vão, com o diagrama de momentos.
- Não considera tension stiffening — a contribuição do concreto tracionado entre fissuras. Isso subestima a rigidez na fase fissurada.
- Não considera fluência nem retração, que em serviço reduzem substancialmente a rigidez ao longo do tempo.
- Usa os valores de cálculo das resistências. Para um diagrama que represente o comportamento esperado — e não o de projeto —, seriam necessários valores médios.
- O diagrama é monotônico: não representa ciclos de carga e descarga, nem o comportamento sob ações repetidas.