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Análise estrutural

A estaca é analisada como pórtico espacial em elementos finitos, apoiado em base elástica. O solucionador é o PyNite, biblioteca de análise matricial de estruturas.

O resultado dessa análise — momentos, cortantes e normais ao longo do fuste — é o que alimenta o dimensionamento.


O modelo

Discretização

A estaca é dividida em nós de metro em metro, coincidindo com a discretização da sondagem. Isso não é acaso: cada nó precisa de uma mola, e a mola vem da camada de solo daquele metro.

Os nós vão do topo à ponta, ordenados de cima para baixo. O nó de topo recebe as cargas aplicadas.

Seção e material

Seção circular cheia:

\[ A = \frac{\pi D^2}{4} \qquad I_y = I_z = \frac{\pi D^4}{64} \qquad J = 2 I_z \]

O material é definido por \(E_c\), coeficiente de Poisson \(\nu\) (padrão 0,20) e peso específico 25 kN/m³, com

\[ G = \frac{E_c}{2(1+\nu)} \]

Apoios elásticos

Cada nó recebe molas segundo a reação do solo:

Direção Mola Quando
DX, DY \(K_h\) Sempre
DZ \(K_v\) Só quando as molas verticais são ativadas

A torção (RZ) é travada para estabilizar o modelo — uma estaca circular sob carga transversal não tem torção significativa, e deixá-la livre criaria um modo de corpo rígido.

Nós superficiais não recebem mola

Nós a menos de 0,10 m de profundidade têm a mola zerada. O solo à superfície é o menos confinado, o mais sujeito a erosão, escavação e variação sazonal — contar com a reação dele é otimismo que a prática não confirma.


Cota de topo abaixo do terreno

Quando o topo da estaca está enterrado — arrasado abaixo do nível do terreno, situação normal sob bloco —, o nó de topo passa a ter solo em volta e recebe a mola correspondente à sua profundidade.

Quando o topo está no nível do terreno ou acima, ele fica livre. É o caso da estaca com trecho exposto, que se comporta como pilar engastado no solo.

Um cuidado de modelagem

Os nós são posicionados na cota da sondagem, não em distâncias medidas a partir do topo da estaca. Parece detalhe, mas é o que garante que o \(K_h\) de uma profundidade seja aplicado na profundidade certa: posicionar os nós a partir do topo faria o modelo afundar junto com a estaca, aplicando a rigidez de 3 m na cota de 5 m e alongando a peça modelada.


Estacas inclinadas

O SPX modela estacas inclinadas por dois ângulos:

Parâmetro Significado
Inclinação Ângulo com a vertical
Azimute Direção da inclinação no plano horizontal

A posição horizontal de cada nó é obtida projetando a queda desde o topo:

\[ x = (z_{topo} - z) \cdot \tan(i) \cdot \cos(az) \qquad y = (z_{topo} - z) \cdot \tan(i) \cdot \sin(az) \]

A projeção é medida a partir do topo da estaca, não do nível do terreno — uma estaca arrasada a 2 m só começa a se afastar da vertical a partir dali.

Inclinação individual

Num bloco, cada estaca pode receber inclinação e azimute próprios. É o que permite montar arranjos em leque para resistir a esforço horizontal — o caso clássico de encontro de ponte ou de estrutura sob empuxo.


Análise por eixo

A análise é conduzida por eixo — um modelo para X e outro para Y —, cada um com o cortante e o momento da sua direção. Os dois resultados são então combinados no dimensionamento, que trata a flexão como composta oblíqua.

Essa separação é o que permite usar um modelo plano por vez, mais estável numericamente, sem perder a interação biaxial na verificação da seção.


Resultados

Da análise saem, ao longo do fuste:

  • Deslocamento horizontal — o critério de serviço mais usado em estaca carregada transversalmente.
  • Momento fletor — máximo geralmente a poucos metros da superfície, e é ele que dimensiona a armadura longitudinal.
  • Esforço cortante — dimensiona os estribos.
  • Esforço normal — decrescente com a profundidade, pelo atrito mobilizado.

Os gráficos são interativos e podem ser exportados para o relatório.


Limites de validade

Faixa de aplicação

  • O modelo é linear elástico. Nem o concreto fissura, nem o solo plastifica. Para deslocamentos de serviço isso é aceitável; próximo da ruptura, não.
  • A rigidez à flexão usa a seção bruta de concreto. A NBR 6118 admite redução por fissuração em análises de segunda ordem, o que tornaria os deslocamentos maiores e os momentos redistribuídos.
  • As molas de Winkler não representam interação entre estacas do mesmo bloco. Em grupo com espaçamento pequeno, a rigidez efetiva por estaca é menor que a calculada.
  • A discretização de 1 m limita a resolução do momento máximo. Em estacas curtas ou muito rígidas, o pico pode cair entre nós.