Resultado Geotécnico¶
Quarta aba, e o ponto de decisão do projeto: é aqui que se escolhe o comprimento da estaca.
A aba tem quatro sub-abas:
| Sub-aba | Conteúdo |
|---|---|
| Aoki–Velloso | Capacidade por cota |
| Décourt–Quaresma | Capacidade por cota |
| Teixeira | Capacidade por cota |
| Recalque (Cintra e Aoki) | Recalque, curva carga × recalque, diagrama normal |
Como ler a tabela¶
Cada método apresenta uma linha por cota possível de ponta:
| Coluna | Unidade | Conteúdo |
|---|---|---|
| Cotas | m | Profundidade da ponta, negativa |
| \(R_l\) acum. | kN | Atrito lateral acumulado do topo até a cota |
| \(R_p\) | kN | Resistência de ponta naquela cota |
| \(R_t\) | kN | Soma das duas |
| \(P_a\) Final | kN | Carga admissível, já com fatores e limites |
O procedimento é direto: percorra a coluna \(P_a\) Final até encontrar o primeiro valor que supera a carga da estaca. Aquela cota é o comprimento necessário.
É por isso que a tabela é por cota
Programas que devolvem um número único obrigam a tentar comprimentos até acertar. Com a curva inteira de \(P_a(z)\) em uma chamada, a escolha vira leitura de coluna — e mostra também quanto se ganharia descendo mais um metro, que é a informação para decidir entre alongar a estaca ou aumentar o diâmetro.
Colunas extras em estacas escavadas¶
Para estaca escavada em compressão, Décourt-Quaresma acrescenta:
| Coluna | Conteúdo |
|---|---|
| Pa escavada | O limite \(1{,}25\,R_l\) |
| Pa Dec-Qua | O valor do método, sem o limite |
A coluna \(P_a\) Final traz o menor dos dois. Ter os três lado a lado mostra qual critério governou — informação que costuma justificar mudar o tipo de estaca.
Os três métodos divergem¶
E devem. A principal fonte de divergência é qual \(N_{SPT}\) cada um usa na ponta:
| Método | \(N\) de ponta |
|---|---|
| Aoki-Velloso | A camada imediatamente abaixo |
| Décourt-Quaresma | Média de três camadas |
| Teixeira | Média na janela \([-4D, +D]\) |
Como interpretar
- Divergência grande costuma indicar perfil com variação brusca perto da ponta. Aoki se separa dos outros dois porque uma lente resistente de um metro sustenta a ponta dele sozinha.
- Teixeira destoando dos demais aponta influência do diâmetro: só ele dimensiona a janela do \(N_p\) em função de \(D\).
- Concordância excessiva é mais suspeita que divergência — em geral significa perfil homogêneo, onde os três reduzem à mesma média.
A prática defensável é adotar o menor dos três, ou o método com calibração regional conhecida, registrando a escolha na memória de cálculo.
Recalque¶
A quarta sub-aba traz:
- Recalque estimado pelo método de Cintra & Aoki, decomposto em parcela elástica da estaca e parcela do solo.
- Recalque de grupo, pela estimativa \(\rho_{max}\sqrt{n}\).
- Curva carga × recalque de Van der Veen, ancorada no ponto de trabalho.
- Diagrama de esforço normal ao longo do fuste.
O resultado sai em milímetros.
O recalque admissível não é decisão do programa
O SPX estima quanto a fundação recalca. Quanto a estrutura tolera é atributo dela — e recalques diferenciais entre apoios, que são o que de fato danifica edificações, exigem comparar as fundações entre si.
Ver limites de validade.
Verificação geotécnica¶
O programa emite uma verificação por estaca, confrontando a carga aplicada com a admissível na cota adotada. Alterar parâmetros geotécnicos depois de calcular dispara um aviso — o resultado em tela deixa de corresponder à entrada, e é preciso reprocessar.