Skip to content

Combinação de ações

As combinações últimas normais seguem a NBR 8681:2003, seção 5.1.3.1 — que é a mesma prescrição reproduzida na Tabela 11.1 da NBR 6118.

A combinação

Para cada ação variável testada como principal, monta-se um caso em que ela entra integralmente e as demais entram reduzidas por \(\psi_0\):

\[ F_d = \sum \gamma_g F_{g,k} + \gamma_q F_{q1,k} + \gamma_q \sum \psi_{0j} F_{qj,k} \]

com \(\gamma_f = 1{,}4\) nas combinações normais.

Cada caso é um vetor completo \(\{N, M_x, M_y, F_x, F_y\}\) — os cinco componentes do esforço no pilar —, e não uma envoltória componente a componente.

Por que caso a caso, e não envoltória antes

Envelopar os esforços do pilar antes de resolver e resolver uma vez por caso dão o mesmo resultado quando a resposta é linear nos cinco componentes — que é o caso da fórmula analítica de reação em estaca, e também do modelo em elementos finitos, que é linear.

Mas a lista de casos existe porque só ela permite rodar o solver uma vez por caso e envelopar as reações. Envelopar antes obrigaria a resolver com um vetor "combinado" que despreza os sinais — e sinal importa: um momento que alivia uma estaca sobrecarrega a oposta.

Ação permanente favorável

Este é o ponto em que a norma exige cuidado e onde é fácil errar contra a segurança.

Uma ação permanente — o peso próprio do bloco, sempre em compressão — pode aliviar o efeito adverso de uma ação variável de sinal oposto, como uma variável de tração. Quando isso acontece, a NBR 8681 (4.3.3.2 e Tabela 1) manda usar

\[ \gamma_{g,inf} = 1{,}0 \]

e não \(\gamma_{g,sup} = 1{,}4\). Majorar em 1,4 uma ação que está aliviando superestimaria o alívio, e isso é contra a segurança.

Como o PCO resolve

O problema é que "favorável" não é atributo fixo da ação: depende do sinal de cada verificação. O mesmo peso próprio é desfavorável para a compressão da biela e favorável para a tração da estaca.

Em vez de decidir na entrada, o PCO testa as duas hipóteses como casos separados\(\gamma_g = 1{,}0\) e \(\gamma_g = 1{,}4\) nas permanentes — e deixa a envoltória por componente escolher sozinha, para cada verificação, qual das duas é a mais desfavorável.

É mais caro de calcular e dispensa o usuário de acertar na mão uma classificação que muda de verificação para verificação.

Peso próprio

O peso próprio do bloco entra como ação permanente, com

\[ \gamma_{concreto} = 25\ \text{kN/m}^3 \]

conforme a NBR 6120.

O PCO calcula o volume a partir do polígono real do bloco — o fecho convexo das estacas com o balanço —, e não de um retângulo circunscrito.

Blocos tracionados

Quando a combinação resulta em tração, o bloco muda de comportamento e o programa trata o caso explicitamente. A distinção importa porque a estaca tracionada não tem ponta a mobilizar e o modelo de bielas se inverte.

Limites de validade

Faixa de aplicação

  • Cobre as combinações últimas normais. Combinações especiais, de construção e excepcionais (NBR 8681, 5.1.3.2 a 5.1.3.4) não estão contempladas.
  • Não são verificados estados limites de serviço — fissuração e deformação excessiva.
  • Os fatores \(\psi_0\) dependem da categoria de uso da ação variável, e são responsabilidade de quem lança as ações.
  • Ações dinâmicas, sísmicas e de impacto estão fora do escopo.