Cortante e torção¶
Os dois são tratados juntos porque competem pela mesma biela de concreto — e é essa competição que a verificação de interação captura.
Esforço cortante¶
Modelo de cálculo I da NBR 6118: bielas a 45°, com a parcela \(V_c\) constante.
Esmagamento da biela¶
Se \(\tau_{wd} > \tau_{wu}\), a seção é insuficiente e o cálculo é interrompido. Nenhuma armadura resolve esmagamento de biela.
Armadura transversal¶
O aço do estribo é limitado a 435 MPa
\(f_{ywd} = \min\left(f_{yk}/\gamma_s;\ 435\ \text{MPa}\right)\).
A norma limita a tensão na armadura transversal justamente para controlar a abertura das fissuras diagonais em serviço — não adianta usar aço de alta resistência no estribo se ele vai fissurar antes de escoar.
Armadura mínima¶
com \(f_{ywk} \le 500\) MPa e \(A_{sw,min} = \rho_{sw,min}\cdot 100\, b_w\).
Torção¶
A seção vazada equivalente¶
A torção é resistida por um fluxo de cisalhamento fechado junto às faces — o núcleo pouco contribui. Por isso a seção maciça é substituída por uma seção vazada equivalente de espessura \(t\).
Partindo de \(t_0 = \dfrac{b\,h}{2(b+h)}\) e de \(c_1 = d'\):
\(A_e\) é a área limitada pela linha média da parede, e \(u_e\) o perímetro dessa linha.
Tensão e limite¶
Armaduras¶
A armadura longitudinal de torção é distribuída pelas faces proporcionalmente ao perímetro externo — o que dá parcelas para a face inferior, a superior e as duas laterais.
Mínimo, quando há torção:
A verificação de interação¶
É o ponto central deste capítulo:
Cortante e torção somam compressão na mesma biela. Verificar cada um isoladamente contra o seu próprio limite aprova seções que a combinação reprova — e é por isso que a norma exige a soma das razões.
Se a soma passa de 1, o cálculo é interrompido: é esmagamento, e pede seção maior.
Espaçamento máximo dos estribos¶
O mesmo indicador governa o espaçamento:
| Soma das razões | Espaçamento máximo |
|---|---|
| \(\le 0{,}67\) | \(\min(0{,}6\,d;\ 30\ \text{cm})\) |
| \(> 0{,}67\) | \(\min(0{,}3\,d;\ 20\ \text{cm})\) |
Quanto mais perto do esmagamento, mais juntos os estribos — eles passam a costurar fissuras que já se formaram.
Somando tudo¶
A armadura transversal total combina as duas parcelas, lembrando que o estribo de torção conta com dois ramos:
E a armadura longitudinal recebe ainda o acréscimo devido ao cortante — a parcela de tração que o modelo de treliça transfere ao banzo tracionado:
Limites de validade¶
Faixa de aplicação
- A torção implementada é a de seção retangular. Seções T sob torção usam a alma como seção de referência, o que é aproximação.
- Modelo I de cortante, com bielas a 45°. O Modelo II, de inclinação variável, não está implementado — ele costuma dar armadura menor em peças muito solicitadas.
- A torção considerada é a de equilíbrio. Torção de compatibilidade, que pode ser desprezada quando há redistribuição, é decisão do projetista: se ela não for lançada, o programa não a inventa.
- Não há verificação de abertura de fissuras em serviço, que em peças torcidas costuma ser o que de fato governa o detalhamento.
- Os limites de \(f_{ywd}\) a 435 MPa e de \(f_{ywk}\) a 500 MPa são os da norma para armadura transversal.