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Convenções e unidades

Esta é a página que evita o erro mais comum de entrada de dados. Vale a leitura antes do primeiro projeto.

Sistema de eixos

Os programas usam um sistema destrógiro com Z para baixo, com origem no topo da estaca.

Eixo Direção positiva
X Horizontal
Y Horizontal, perpendicular a X
Z Para baixo, ao longo da estaca

O eixo Z apontando para baixo é a convenção geotécnica: profundidade cresce com Z, e as cotas de sondagem são lidas na mesma direção em que a estaca desce.

Confira no próprio programa

O SPX traz uma visualização 3D do sistema de coordenadas, com a estaca e os três eixos desenhados. Use-a sempre que houver dúvida sobre o sentido de um esforço.

Sinais dos esforços

Esforço Positivo significa
Normal \(N\) Compressão — carga para baixo, no sentido de Z
Normal \(N < 0\) Tração — o programa muda o método de cálculo da capacidade
Cortante \(V_x\) Para a direita, no sentido de X
Cortante \(V_y\) No sentido de Y
Momento \(M_x\), \(M_y\) Sentido horário

O sinal do normal muda o cálculo

Não é só uma questão de sinal na saída. Com \(N < 0\) o programa entende estaca tracionada e passa a desprezar a resistência de ponta, aplicando o fator de segurança de tração. Ver Capacidade de carga.

Unidades

A entrada e a saída são em unidades do SI usuais da geotecnia brasileira.

Grandeza Unidade Onde aparece
Comprimento, diâmetro, profundidade m Geometria da estaca e do bloco
Cobrimento cm Classe de agressividade ambiental
Força kN Cargas aplicadas, \(R_p\), \(R_l\), \(P_a\)
Momento kN·m Momentos aplicados
Tensão do solo kPa \(r_p\), \(r_l\), parâmetro \(K\)
Resistência do concreto \(f_{ck}\) MPa Materiais
Módulo de elasticidade \(E_c\) MPa na entrada, kPa no cálculo Recalque elástico
Peso específico \(\gamma\) kN/m³ Tensão geostática
Fator \(m\) kN/m⁴ Coeficiente de reação horizontal
\(K_h\), \(K_v\) unitários kN/m³ Reação do solo
Molas \(K_h\), \(K_v\) kN/m Entrada do modelo de elementos finitos
Recalque m no cálculo, mm na apresentação Resultados e gráficos

Recalque em milímetros

Internamente o recalque é calculado em metros, mas todo resultado apresentado — tabela, gráfico e relatório — vem em milímetros, que é a unidade em que se discute recalque admissível.

Tipos de solo

O SPX classifica o solo pelas frações que o compõem, na ordem em que predominam. São quinze combinações:

Areia Silte Argila
Areia siltosa Silte arenoso Argila arenosa
Areia siltoargilosa Silte arenoargiloso Argila arenossiltosa
Areia argilosa Silte argiloso Argila siltosa
Areia argilossiltosa Silte argiloarenoso Argila siltoarenosa

O nome se lê como a composição: areia siltoargilosa é dominante areia, depois silte, depois argila.

A classificação escolhe os parâmetros de cálculo

O tipo de solo não é rótulo: é ela que seleciona \(K\) e \(lpha\) na tabela de Aoki-Velloso, \(C\) na de Décourt-Quaresma, \(lpha_T\) na de Teixeira e o fator \(m\) das molas.

Trocar areia siltosa por silte arenoso — nomes parecidos, composições invertidas — muda \(K\) de 0,80 para 0,55 MPa, ou seja, 31 % a menos de resistência de ponta. Confira a classificação do boletim antes de lançar.

Nem todo método usa a classificação completa. Décourt-Quaresma trabalha com três famílias apenas — argilas, solos intermediários e areias — e o coeficiente de reação horizontal distingue apenas solos arenosos e siltosos de argilosos.

Discretização da sondagem

A sondagem é lançada metro a metro, um valor de \(N_{SPT}\) e um código de solo por metro. As cotas de resultado saem negativas, medidas a partir da superfície: −1 m, −2 m, e assim por diante.

Toda tabela de capacidade de carga é apresentada por cota — para cada profundidade possível de ponta, qual seria a carga admissível. É isso que permite escolher o comprimento da estaca lendo a coluna, em vez de tentar um comprimento por vez.